terça-feira, 7 de agosto de 2007

Respeito Pelas Diferenças Individuais


Nesta última semana, conversando com várias pessoas sobre tatuagem e modificações corporais, principalmente por causa do último texto que postei neste blog (“O Vale dos Tatuados”, crítica sobre um preconceituosíssimo livro escrito em nome da doutrina espírita), percebi que o que falta, muitas vezes, é um mínimo de compreensão de que as pessoas são diferentes entre si, têm costumes, convicções, preferências e gostos diferentes. Muita gente não consegue aceitar que aquilo que ela própria não considera “normal”, pode o ser para outros.

Observei reações comuns como a crença de que ‘tatuagem faz mal espiritualmente porque é uma agressão ao corpo’ – o que é uma visão muito pessoal, pois tenho certeza de que a maioria dos que se tatuam, ou colocam piercings, ou próteses de silicone, tingem os cabelos ou qualquer outra modificação, o faz como forma de valorizar e não estragar ou agredir o corpo.

A principal origem do preconceito está no fato das pessoas utilizarem sensações e opiniões pessoais como se fossem conceitos universais, ao mesmo tempo em que generalizam os indivíduos como se em uma única característica estivessem fundamentados todo (ou grande parte) do seu caráter e personalidade. Ignoram as diferenças individuais e culturais de cada um. Não me refiro apenas ao preconceito contra tatuagens, mas contra religiões, preferências sexuais, estilos de cabelo, roupas, gosto musical. Existe uma tendência grande em classificar a si mesmo como ‘normal’ e ao diferente (de si) com adjetivos às vezes bastante pejorativos (louco, culturalmente ou espiritualmente atrasado, excessivamente vaidoso, etc.), sem perceber que a própria pessoa (que critica) também tem costumes que, para outros, poderiam parecer estranhos.

Segundo Rufus Camphausen, autor do livro “Return of the Tribal: a Celebration of Body Adornment”, (Ed. Inner Traditions, 1998), a necessidade e o amor por ornamentos, decorações e modificações do corpo, por motivos variados, é uma característica humana. É necessário que tenhamos respeito: pelos gostos do outro, escolhas, vontades e necessidades. Respeito pelas visões de beleza diferentes da nossa, modos de agir, preferências sexuais e,claro, maneiras de adornar o corpo.


Percebemos que mesmo agindo dentro dos padrões ditados por nossa sociedade, praticamos muitos tipos de modificações: cortes e tintura de cabelos, maquiagem, depilação, brincos nas orelhas, próteses de silicone lipoaspiração, botox, etc. Como estamos habituados a elas, consideramos ‘normais’, enquanto olhamos com estranheza aquilo que está mais distante de nossa realidade, sem compreendermos que os gostos e maneiras de ser diferem de uma sociedade pra outra e também de um indivíduo para outro.
Nas palavras do autor:


“Seja simples maquiagem facial, pintura corporal, escarificações múltiplas, tattoos, ou piercings, tenho convicção de que esses ornamentos, decorações e modificações que aumentem o prazer de viver, o amor próprio e o respeito por si e pelos outros são verdadeiras expressões da humanidade. Tudo o que valoriza, seja temporário ou permanente, invasivo ou não, são expressões de celebração do corpo, celebração de si mesmo e celebração da vida como ser humano.”

Em outro trecho, ele nos chama a atenção para a questão da intolerância e falta de compreensão pelas diferenças, e também das semelhanças (muitas vezes despercebidas) entre os vários tipos de ornamentos corporais:

“Uma mulher usando brincos em uma ou nas duas orelhas pode facilmente pensar que piercings são realmente estranhos e que ela, pessoalmente, nunca os usaria. Outra, com os seios artificialmente aumentados e lifting facial, encontrando alguém usando alguns piercings nos lábios ou sobrancelhas, poderia facilmente julgar a ela mesma como normal, mas seu semelhante como um ‘desviado’. "
(...)
"Dois cidadãos contemporâneos, um general e um executivo de uma grande corporação bancária, diante de algumas imagens de chefes da Papua Nova Guiné, chamaram-nos de “totalmente loucos”. Eles se referiam ao tipo de roupas, cocares de penas, ossos inseridos no nariz. Nem lhes passou pela cabeça que aqueles outros, olhando para eles, veriam algo igualmente louco. Totalmente vestidos com roupas escuras, mesmo no verão mais quente, com seus pescoços fortemente apertados por gravatas e com os pés suando dentro de caixas feitas de animais mortos, eles também seguem os costumes de suas respectivas tribos: o general, com seu uniforme e medalhas brilhantes, que mostram seu valor no combate, e o executivo com seus dentes falsos que reluzem quando ele dá um ‘sorriso político’.”


( “Return of the Tribal: a Celebration of Body Adornment”; Rufus Camphausen, Ed. Inner Traditions, 1998, tradução dos trechos por mim mesma)


O livro é um belíssimo chamado à tolerância ao próximo, ao respeito pelo diferente, à compreensão de que cada um tem seus próprios motivos (pessoais ou sociais) para ser de determinada maneira. É um belo texto em favor da liberdade de expressão.



2 comentários:

Anônimo disse...

aqui eu queria que vc me falasse o porque que o respeito as diferenças individuais e importante
e isso que eu queria que vc me falasse, se vc conhecesse um livro sobre isso eu queria que vc postasse, pois na realidade eu tenho que fazer um livro sobre esse tema que eu te faleiii
brigada e queria que vc colocasse aii para mim

Anônimo disse...

Gostei muito da discursão e acho que esse é um tema que deve ser constatemente abordado , afinal , só viveremos em armonia e tranquilidade na sociedade apartir do momento em que todos aprenderem respeitar e conviver com as diferenças individuais, já elas são responsáveis pela variedade de culturas que compõem o nosso cotidiano.